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Vida no campo ganha espaço nas redes e aproxima público urbano da rotina rural

Conteúdos sobre plantio, colheita, criação de alimentos e receitas despertam a curiosidade de uma população majoritariamente urbana; influenciadora Cleide Lifestyle transformou o cotidiano no sítio em conteúdo digital

Para quem vive nas grandes cidades, plantar, colher o próprio alimento, cuidar de uma horta ou preparar uma refeição no fogão a lenha pode parecer uma realidade distante. Ainda assim, esse cotidiano tem despertado a curiosidade de milhões de brasileiros nas redes sociais. Vídeos que mostram desde o nascimento de uma planta até a preparação de uma receita com ingredientes colhidos no próprio sítio encontram espaço em plataformas digitais e transformam tarefas simples do campo em conteúdo acompanhado por grandes audiências.

O fenômeno ganha uma dimensão ainda mais interessante quando observado à luz da realidade brasileira: segundo o Censo 2022, do IBGE, 87,4% da população do país vive em áreas urbanas, enquanto 12,6% está em áreas rurais. Ou seja, para a maior parte dos brasileiros, a experiência cotidiana de produzir parte do próprio alimento está distante da rotina.

É justamente essa distância que pode ajudar a explicar o interesse. Em vez de acompanhar apenas o resultado final, o público passa a observar processos que normalmente não fazem parte de seu dia a dia: o plantio, o crescimento das plantas, a colheita, a transformação dos ingredientes e, finalmente, a chegada do alimento à mesa.

A criadora de conteúdo Cleide Lifestyle conhece esse movimento de perto. A partir da própria rotina no sítio, ela passou a compartilhar nas redes sociais atividades como o cultivo de alimentos, colheitas, receitas preparadas no fogão a lenha e momentos da vida em família. O que inicialmente era apenas o registro de uma rotina pessoal acabou criando uma audiência interessada não apenas nas receitas, mas em acompanhar todo o processo por trás delas.

 

“Às vezes, para quem está no campo, aquilo é uma coisa tão normal que nem imaginamos que alguém possa ter curiosidade. Mas recebo muitas mensagens de pessoas perguntando como plantar, como colher, como preparar determinado alimento. Elas querem acompanhar tudo, não só o prato pronto”, conta Cleide.

O interesse também dialoga com uma transformação na maneira como as pessoas se relacionam com as redes sociais. Pesquisa realizada pela Globo com mil brasileiros adultos aponta que 66% dos usuários entrevistados seguem influenciadores. O estudo também identifica uma busca por experiências mais autênticas e interativas e mostra que, entre os usuários mais intensivos das redes, 81% dos que acompanham influenciadores dizem sentir que fazem parte de uma comunidade.

Nesse contexto, conteúdos sobre a vida rural podem oferecer algo diferente da lógica tradicional de consumo rápido das plataformas: a possibilidade de acompanhar processos. Plantar implica esperar. Uma colheita depende de tempo. Uma receita começa muito antes de chegar ao prato. A rotina apresentada por Cleide, portanto, não se resume à estética do campo, mas mostra uma sequência de pequenas atividades que dão sentido ao resultado final.


Crédito: Divulgação



“Eu acho que as pessoas gostam de ver o que existe por trás daquilo que chega à mesa. Quando mostro uma receita, por exemplo, muitas vezes ela começa na horta, na escolha do que vamos colher. É uma rotina simples, mas que tem muitas etapas”, explica.

Outro elemento é a sensação de proximidade. Ao contrário de conteúdos que mostram apenas cenários idealizados, a rotina compartilhada por Cleide inclui tarefas domésticas, cuidados com a propriedade, preparação dos alimentos e momentos espontâneos da família. Essa dimensão cotidiana aproxima o público de uma realidade que, para muitos seguidores, existe apenas como lembrança familiar, desejo ou curiosidade.

Para Cleide, essa relação também mudou a forma como ela enxerga a própria rotina. “Eu passei a perceber que aquilo que para mim era simplesmente o meu dia a dia poderia ensinar alguma coisa para outras pessoas. Hoje, muitas vezes, quem está do outro lado da tela me ensina também. É uma troca”, afirma.

Mais do que uma tendência relacionada especificamente ao conteúdo rural, o fenômeno revela uma característica das redes sociais contemporâneas: a possibilidade de transformar experiências particulares em espaços de descoberta e pertencimento. A pesquisa da Globo aponta justamente que as plataformas deixaram de ser apenas ambientes de entretenimento e passaram a ocupar funções ligadas à informação, socialização, descoberta e formação de comunidades.

No caso de Cleide, a porta de entrada pode ser uma receita, uma colheita ou uma atividade aparentemente simples. Mas o que mantém o público acompanhando é a possibilidade de conhecer, ainda que pela tela do celular, uma rotina que está cada vez mais distante da experiência cotidiana de quem vive nas cidades.

Redes Sociais:  https://www.youtube.com/c/cleidelifestylee https://www.instagram.com/cleide_lifestyle/

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